Religião, Estupro e Aborto

Eu fui criada dentro da religião católica, tendo passado por todas as etapas: batismo, 1a comunhão e crisma.

Eu ainda vou com a minha mãe na missa aos domingos, mas já não me considero católica há mais de 10 anos. Tenho uma certa birra com a instituição Igreja Católica Apostólica Romana, mas isso é a minha opinião pessoal. Acho que religião é algo que as pessoas buscam pra conseguir paz de espírito. Hoje em dia se tem liberdade pra escolher a religião que mais se adequa às suas necessidades espirituais, caso você não esteja contente com a religião na qual você foi criado.

Sabe-se que a Igreja Católica tem lutado pra conseguir recuperar a credibilidade perdida pelos inúmeros escândalos de pedofilia e também a perda de devotos. Não sei até que ponto continuar proibindo a utilização de métodos contraceptivos e pesquisas em células-tronco está contribuindo para esta “luta”.

Tendo dito isso, não consigo deixar de pensar o quanto é trágico ver uma instituição que já perdura há séculos patinar na suas tentativas de se modernizar e permitir que certos representantes seus dêem passos para trás. Como é, na minha opinião, o caso do Arcebispo de Olinda que excomunhou todas as pessoas envolvidas no aborto de um feto resultante de um estupro.

A gestante em questão é uma menina de 9 anos que supostamente foi estuprada pelo padastro. O padastro, que está preso, confessou o crime para a polícia quando foi detido.

Ora pois, se a mãe e as autoridades que autorizaram o aborto, bem como os médicos que o realizaram mereceram a excomunhão, o que merece receber o estuprador? Não a excomunhão, pois apesar de o Arcebispo ter frisado que a excomunhão é um “remédio espiritual” o aborto é um crime muito pior do que o de estupro.

Eu não sei em que mundo esse homem vive. O aborto nesse caso foi feito com total amparo legal, com base no art. 128 do Código Penal Brasileiro (Art. 128 – Não se pune o aborto praticado por médico: Aborto necessário I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante; Aborto no caso de gravidez resultante de estupro II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.). Mas tudo bem, o Estado é laico e sabemos que o inferno congelará antes que a Igreja Católica se mostre favorável ao aborto.

Mas, pôxa, estamos falando de uma menina de 9 anos!!! E ela ainda por cima foi violentada sexualmente!!! Estupro já é uma das, se não a pior, crueldade que pode ser cometida contra uma mulher. E algo desse tipo acontecer com uma criança é uma atrocidade.

Ainda, a decisão de abortar foi tomada pensando em preservar a vida da menina, a qual já havia passado pelo trauma do abuso e não seria capaz fisicamente de levar a gravidez adiante. Okay, perdeu-se os bebês, mas salvaram a vida da garota. Isso não deveria ser algum tipo de atenuante?

O Arcebispo de Olinda precisa rever as suas prioridades porque condenar ao inferno pessoas que agiram de acordo com as leis dos homens e conceder o direito de se arrepender e ser perdoado à uma pessoa que violou as regras da Igreja e dos homens não faz o menor sentido.

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Comments
One Response to “Religião, Estupro e Aborto”
  1. ludo diniz disse:

    Gostei do seu blog e dei mta risada com o vídeo do Facebook.

    Sobre essa questão, perdeu-se uma boa oportunidade de se ficar calado. Total anti-marketing para a Igreja Católica.

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